Quase metade dos caixeiros do Brasil nasceram ou moram em Joinville, diz polícia
15/04/2018 19:11 em Polícia

Um relatório da Polícia Civil do Distrito Federal mostra que quase metade dos arrombadores de caixas eletrônicos das principais quadrilhas presas no país nasceu ou mora em Joinville, no Norte do estado. O delegado Anselmo Cruz, da Polícia Civil catarinense, afirmou que há registros da presença de caixeiros da cidade em todos os estados, menos no Acre, como mostrou o Jornal do Almoço deste sábado (14). Vara de pescar, caixa de isopor e até guarda-chuva são usados para tapear o alarme dos bancos. Para entrar nas agências, os criminosos fazem um buraco na parede ou até entram pela porta da frente. O que não muda é o jeito de arrombar os caixas. Apesar de tentar, nem sempre eles conseguem esconder o clarão que fazem com a ferramenta que usam no crime. Quando a polícia chega, o tipo de equipamento usado entrega a origem. Berço Joinville é a cidade-berço dos caixeiros no Brasil e a maioria sai de apenas dois bairros, uma região da cidade que concentra 60 mil habitantes. Isso porque esse cenário faz parte de um dos mais importantes polos da indústria metal-mecânica no Brasil. Os criminosos se infiltram em cursos técnicos oferecidos na região e dentro de empresas para aprender a usar máquinas que cortam aço. Entre as ferramentas usadas pelos criminosos estão o maçarico e a furadeira industrial.

"Eu tinha um colega que trabalhou comigo na empresa. Ele usava o trabalho de fachada, mas fazia o serviço de caixeiro fora. E a gente descobriu e a empresa mandou embora essa pessoa", disse o metalúrgico aposentado Edésio Brant. A história dos caixeiros de Joinville começou na década de 1990. Na época, a cidade também era sede de fábricas de caixas eletrônicos. O delegado Cruz identificou 900 caixeiros de Joinville em ação no Brasil nos últimos seis anos. "A maioria deles tem conhecimento profissional ou em curso profissionalizante. São pessoas que sabem manusear estes equipamentos. São equipamentos perigosos até, que podem causar acidentes graves", disse. Furto Paulo Ponath, de 46 anos, é conhecido como caixeiro. No ano passado, ele foi preso por furtar quase R$ 300 mil em uma agência de Aracaju. Dentro de um carro disfarçado de empresa de TV a cabo, a polícia de Sergipe encontrou diversas ferramentas usadas nesse tipo de crime. Sobre o furto em Aracaju, o advogado de Ponath disse que o cliente é inocente, que não há provas robustas da sua participação no crime.

Pela lei, o tipo de crime cometido pelos caixeiros é furto. Para a polícia, isso dificulta a punição. "Esse crime de furto possui uma pena pequena no Brasil, a pena inicial é de apenas dois anos. Arrombar a janela de uma casa e pegar um par de tênis tem a mesma punição de usar uma ferramenta dessas para arrombar um caixa eletrônico e levar um montante de dinheiro. Então, é muito difícil que esses indivíduos permaneçam presos, por exemplo", disse o delegado.

Paulo Ponath ostenta vida de luxo nas redes sociais. Já foi preso e depois solto ao menos nove vezes em nove estados nos últimos 15 anos. Tem quatro condenações, mas cumpre pena em liberdade desde janeiro. Quase duas décadas depois dos primeiros furtos, a história dos caixeiros de Joinville ainda desafia a polícia.

Fonte G1 SC 

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