Por: Gabriel Jr | 31/08/2017
 

Para lembrar o exemplo de Tânia Regina Valduga, advogada de 25 anos classificada como uma mulher batalhadora, amiga e excelente profissional pelos parentes, amigos e demais pessoas que a conheceram, uma homenagem em sua memória será realizada nesta quinta-feira (31), em Jaraguá do Sul. A cerimônia será presidida pelo Frei Aroldo e ocorrerá na Capela Ecumênica do Centro Universitário Católica de Santa Catarina, às 19h30. A advogada Tânia morreu no dia 25 de julho, em consequência de um acidente de moto ocorrido no dia 8 do mesmo mês, na BR-280, em Guaramirim, Norte catarinense.

Carona de uma moto que colidiu com um carro perto da WEG Química, Tânia estava com o namorado Leocir Pes, de 32 anos, que morreu no mesmo dia do acidente. O motociclista morava em Joinville, mas foi sepultado em Nova Prata do Iguaçu, no Paraná.

Leia mais: Vítima de acidente, advogada morre após 17 dias de internação em Jaraguá do Sul

A ex-colega de faculdade e amiga Helena Haisi, 30, é uma das organizadoras da homenagem. Ela conta que conheceu Tânia na faculdade e que a amizade se intensificou após a formatura. As duas trabalhavam em locais próximos e também eram vizinhas. “A ideia de nos reunirmos para orar por ela, partiu da nossa turma da época de faculdade. A cerimônia marcará a passagem de um mês de seu falecimento. É uma maneira de exteriorizarmos nosso sentimento de gratidão, pois ela foi muito querida por todos. Sempre nos lembraremos de suas palavras e sabemos que ela veio para nos ensinar muitas coisas, como, por exemplo, termos fé e lutarmos até o fim pelos nossos objetivos”, disse Helena.

Tânia foi descrita pelos familiares e amigos como exemplo de mulher batalhadora e excelente profissional | Foto Arquivo

Ainda muito triste com a morte da filha, Claudete Espindula, 47 anos, disse que achou a atitude de fazer uma homenagem muito bonita. Ela lembra que, na infância e adolescência, a filha tinha muitos amigos e que velório de Tânia teve mais de 400 pessoas, inclusive médicos, enfermeiros, professores, promotores, delegados e pessoas da Prefeitura.

A mãe conta que como toda jovem, Tânia gostava de se divertir, mas nos últimos dias preferia ficar mais em casa, pois pensava mais nos estudos e no trabalho. Ele estava terminando cursos para prestar concurso para ser juíza. “A rotina era casa, faculdade, igreja. A Tânia estava estudando para ser juíza”, contou a mãe, que mora há 20 anos em Jaraguá do Sul.

Separada, Claudete foi casada por sete anos com Francisco Luis Valduga, com quem teve Tânia, sua única filha. “A Tânia é natural de Juína/MT. O pai dela mora em Castanheira/MT.  Ela veio do Mato Grosso com um ano e seis meses”, contou a mãe, que trabalha de atendente em um bar da família.

Claudete Espindula, mãe de Tânia, disse a atitude de fazer uma homenagem é muito bonita | Foto Fábio Junkes/OCP

Leia mais: Vítima de acidente grave, advogada precisa de doação de sangue em Jaraguá do Sul

Antes de morrer, no dia 25 de julho, Tânia passou por cirurgia no abdômen, recebeu ajuda de dezenas de pessoas que se mobilizaram para conseguir doadores de sangue e ficou 17 dias internada na UTI, sendo oito dias em coma induzido. “Os médicos diziam sempre que o quadro dela era estável. Ela nunca melhorou ou piorou”, comentou Claudete, que também foi internada após sofrer um infarte uma semana após a filha ser hospitalizada. Ela teve alta cinco dias antes da filha morrer.

Leia também: Motociclista de 32 anos morre após acidente na BR-280, em Guaramirim

Elizete Espindula Fortunato, de 44 anos, conta que a sobrinha estava namorando com Leocir desde meados de de abril de 2017. “No dia do acidente, eles estavam indo para Joinville. Ele veio buscar a Tânia e a levava para conhecer o pai dele que estava vindo do Paraná”, disse Elizete. Ela destacou a trajetória da sobrinha até se tornar advogada. “Ela estudou na Julius Karsten, depois fez a faculdade na Católica e teve duas sócias no escritório. Também trabalhou na prefeitura e no presídio. Logo após se formar, a Tânia já abriu seu escritório na rua Guilherme Cristiano Wackerhagen. Foram três anos como advogada. Era muito determinada, não era de ficar esperando. Como não teve pai presente, tinha sempre a determinação de fazer as coisas e esse era o orgulho dela”, disse.

Elizete Espindula disse que a  sobrinha era muito determinada | Foto Fabio Junkes/OCP

A mãe destacou que Tânia era questionadora quanto às notas na escola. “Ela chegava em casa, dizia que tirou 9,2, e somava até o centésimo. E depois na escola dizia para a professora ‘não está certo’. Ela conferia várias vezes as avaliações para ver se a nota estava certa”, relembra a mãe Claudete. Alegre e extrovertida, Tânia desde cedo foi muito dedicada na escola. “Quando era criança, gostava muito de chegar na mesa e conversar com o professor. Era alegre e comunicativa. Começou em 1997 no pré-escolar e terminou o terceiro ano na escola Julius Karsten. Apenas na sétima série cursou na escola Euclides da Cunha, em Nereu Ramos”, contou a diretora da instituição, Margarete Luzzani.

Margarete Luzzani, diretora da escola Julius Karsten, observa histórico escolar de Tânia

Tânia começou a faculdade na Fameg, em Guaramirim, e depois foi para a Católica. Foi criada pela mãe e a avó no bairro Rau. Alfreda Espindula, de 63 anos, morou por muito tempo com a neta e conta que a formatura em 2014 foi um momento muito marcante. Emocionada, Alfreda descreve a neta como uma pessoa com “sorriso marcante, decidida, batalhadora, determinada e muito boa”.

“Formatura em 2014 foi um momento muito marcante”, disse a avó Alfreda | Foto Arquivo Pessoal

Muito correta com horários e trabalhadora, assim Tânia também é descrita por Vanessa Saorin, 33 anos, com quem iniciou o escritório. “Nos conhecemos na Fameg quando começamos a estudar direito. Nos tornamos amigas e fizemos estágio na prefeitura. Ela era a pessoa mais honesta que já conheci. Trabalhamos um ano juntas”, destacou Vanessa. Ela disse que quando abriu um novo escritório, ela e Tânia continuaram acompanhando com muitos processos em conjunto.

Mais de 240 amigos curtiram publicação dela no facebook de quando passou na OAB | Foto Reprodução

Também organizador da homenagem, Silnei Odorizzi, 34 anos, sócio da Odorizzi & Valduga Advocacia, no bairro Vila Nova, lembra que conheceu Tânia na faculdade. ” Trabalhar com ela era ótimo. Pessoa muito humilde, prestativa, sonhadora e eficiente. Trabalhei um ano com ela. No dia a dia era muito corrido. Tinha uma boa cartela de clientes”, contou o sócio. Tânia atuava em ações trabalhistas e criminais e tinha o plano de expandir o escritório com o Silnei para outras localidades. Sobre a investigação do acidente que matou o casal, o advogado disse que acompanhará o caso e disse que o motorista do carro envolvido poderá responder a um processo criminal. A família de Tânia disse que também aguarda por uma resposta sobre o que acontecerá com o motorista.

 

 

 

 

 

OCP - On Line